O Lobo

rosto

Chloe acabara de despertar, era uma manhã fria e a neve batia em sua janela. Seu pai a estava chamando, era hora de levantar e sair.

Ela e seu pai sempre iam caçar juntos. Era uma tradição que dos dois, uma forma de unir pai e filha. Apesar de ser bem desconfortável, Chloe gostava dessas caçadas, era um tempo em que ela podia passar com o pai. Algo que não acontecia com frequência, então ela aproveitada cada segundo. O pai a esperava na cozinha, já vestido e bem agasalhado ele terminava de preparar o café da manhã pra comer junto com a filha. Eles comem em silêncio mas sorrindo um para o outro, animados com o tempo que passarão juntos.

Eles pegam a arma, uns suprimentos, sobem na caminhonete e dirigem até o local permitido para a caça que fica longe de sua casa. É uma viagem tranquila e Chloe aprecia o Sol levantando, a imagem da floresta congelada ao fundo e sua respiração contra o vido do carro, seu pai toma café em uma xícara termina enquanto ouve música country.

Depois de uma hora eles chegam ao local, param o carro e descem. A manhã está ainda mais gelada do que ela esperava.

Eles caminham entre as árvores altas sem conversar, sabem que qualquer som pode assustar os alces.

Apesar de já terem caçado várias vezes juntos, é sempre o pai de Chloe quem tem a arma, mira e atira. Só recentemente ele começou a deixa-la usar a arma. Ele tinha prometido que hoje ele deixaria, mas só depois, então pelo momento ele quem a tem.

Depois de andar por um período de tempo indeterminado, seu pai faz um sinal para ela parar. Ele se abaixa e vai andando sorrateiramente até um tronco de árvore que fica em cima de um barranco, ela faz a mesma coisa e se posiciona ao seu lado. Ela olha para baixo e vê um alce grande, definitivamente adulto, bebendo água de um riacho. Seu pai olha para ela e diz que esse dia parece bem promissor, ele então pega seu rifle e faz a mira.

O alce se mexe um segundo antes do tiro e não o acerta em uma posição fatal, ele começa a correr deixando uma trilha de sangue como rastro. Seu pai levanta e correr atrás do animal ferido, Chloe depois de um segundo de surpresa decide fazer a mesma coisa e o segue. Mas seu pai está correndo muito rápido e ela não o consegue acompanhar, perdendo-o de vista. Ela está sozinha agora.

Andando um tempo a esmo, ela encontra mais um alce, só que é filhote e não se assusta com sua presença. Ela vai se aproximando do pequeno animal quando sente um dor alucinante no seu braço para segundos depois escutar o barulho inconfiável, ela acabara de tomar um tiro. Infelizmente esse tipo de acidente não é tão raro quando parece, em uma areá restrita de caça, acaba-se juntando muitos caçadores no mesmo lugar e eles acabam atirando sem perceber, em um alvo humano.

O animal foge e pelo visto, seu atirador que não queria levar a culpa por atirar em uma pessoa, também o faz.

O tempo vai passando e o sangue em seu braço continua a escorrer, ela já sem forças para continuar de pé. Deita-se senta-se na raiz de uma grande árvore e dorme.

Ela primeiro escuta os rosnados, vários, ferozes e famintos. Não quer abrir os olhos para confirmar o que seu cérebro sabe que a espera, lobos. Mas ela o faz e o vê. Eles estão perto, ela olha para o céu e vê que a manhã já se passou e final da tarde, não faltara muito para o Sol chegar ao horizonte. Chloe volta seu olhar aos lobos em sua frente. Ela sabe que se não fizer alguma coisa, ela não vai ver a noite chegar.

Ao tentar se levantar descobre que está muito fraca, perdeu muito sangue, mas pelo menos o ferimento não está mais sangrando. Ela impotente continua a encara-los. Mas não sabe o que fazer. Será esse seu destino? Morrer para uma matilha de lobos? Sem voltar ver seu pai ou voltar a tomar uma xícara de chocolate quente?

Aceitando seu destino ela vê mais um lobo correndo ao fundo, esse é diferente. Ele não parece como os outros e nem parece ameaçador. Ele também capta a atenção dos outros lobos que passam a não mais olhar para Chloe e sim para ele.

O lobo salta para cima de um dos lobos e o mata na hora, ele uiva alto e parte para cima do maior, o líder da alcateia e também o mata. Os outros fogem assustados, sabem que essa não é mais sua presa. O lobo então encara Chloe e ela vê que ele não representa uma ameça, ele não a mostra os dentes e está vindo como um cachorro ao seu encontro. Ela estica a mão ao seu encontro e deixa-o lambe-la. Ele se aproxima do ferimento e o lambe, Chole achou que isso ia doer muito, mas na verdade ela se sentiu bem com isso. Ele continuou fazendo até que ela notou que seu ferimento não doía mais.

Ela conseguiu se levantar e o lobo foi indo ao seu lado, mas também guiando o caminho. Ela não sabia de onde esse lobo viera mas graças a ele, ela não tinha morrido. Ela ainda estava fraca e ia se apoiando nas árvores ao longo do caminho mas depois de andar por muito tempo, quando o céu já estava ficando vermelho, sinal que a noite se aproximava, ela viu as luzes de carros da policia ao longe, ela sabia que estava salva. Ao olhar em volta o lobo a está sentado e a encarando. Ela se abaixa e abraça o lobo, sabe que esse é o momento da despedida. Chloe vai em uma direção e lobo na oposta.

Depois de passar um bom tempo falando com os policiais e ver seu pai que estava andando de um lado para o outro esperando receber noticias da filha. Ela entra no carro só querendo voltar para casa e ao longe ela consegue ver o lobo, olhando-a e sabendo que pelo menos ali, naquela floresta, ela estava protegida.

Transformando um Rabisco em Desenho

Primeiro vou contar a historia:
Já faz um tempo que eu acompanho um canal de desenho no youtube, chamado Mary Doodles, nesse canal tem uma serie de vídeos onde a artista rabiscas o papel aleatoriamente e depois transforma em um desenho incrível, desde que vi isso não consegui parar de tentar, eu tentava e tentava mas nunca saia nada legal, até que um dia, conversando no skype com uma amiga, eu rabisquei algo aleatório, me concentrei, ativei meu ki e consegui fazer algo, não é o melhor desenho que já fiz, mas fiquei extremamente feliz com o fato de conseguir enxergar um desenho a partir de rabiscos.
Vejam ai o resultado, e o vídeo de eu desenhando!!!
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A Luz Branca Atravessa a Janela

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A luz branca atravessa a janela e chega aos meus olhos, acordo sem saber que horas são. Levanto zonzo, despreparado para o dia que já começou, ao chegar à cozinha, vejo minha mãe parada em frente à pia, preparando café, falo bom dia e ela não me responde, finjo que não me decepcionei e caminho em direção à janela da sala, olho para o céu e me vejo cego por alguns instantes, volto a cozinha e a encontro na mesma posição, ao me aproximar percebo o seu olhar fixo e vazio, nunca a vi tão quieta e imóvel, ao encosta-la, nenhuma reação é demonstrada, seguro em seus ombros e a sacudo, novamente, sem resposta, minha mãe se mantinha imóvel, corro em direção à janela da sala para pedir ajuda, desta vez olho para a rua e vejo as crianças paradas na calçada, como se estivessem sido congeladas enquanto corriam, ao olhar com mais atenção, vejo que elas não piscam e nem mostram sinais de respiração, estavam absolutamente estáticas, assim como as melhores estátuas.

Telefono para a policia, hospital, bombeiros e para o meu pai, em todos os casos o resultado foi o mesmo, caixa postal depois de tocar repetidas vezes. Não sei ao certo o que fazer, me sinto tão desnorteado. No impulso, pego a chave do carro e saio para dirigir, isso sempre me acalma. Ao virar a esquina, me deparo com um acidente, um veículo colidiu com um poste, ao verificar o motorista, o vejo ferido, mas ainda assim, imóvel como um boneco. Volto para o meu carro e no percurso me deparo com mais acidentes similares ao anterior e mais pessoas paradas pela rua.

Neste momento, me veem um sentimento tão familiar, um aperto profundo no peito, como se alguém estivesse pisando no meu coração. Continuo minha jornada a lugar nenhum, ao chegar na cidade, encontro um caos sem precedentes, um contingente de estátuas humanas e acidentes, escuto um ensurdecedor silêncio, que arrepia a minha alma e seca a minha garganta.

Não sei para onde ir e nem o que fazer, me sinto profundamente solitário e de repente me veem a mente dois olhos verdes, tão profundos que me fazem mergulhar, mal conheço a dona desses dois oceanos, mas não consigo parar de pensar nela, como se neste momento a única coisa que faz sentido é encontra-la, não consigo explicar o porque e sinceramente, creio que este “porque” nem exista. Me afogando naquele olhar, começo a imaginar um modo de encontra-la, tenho uma ideia, que acabo seguindo por não me importar com todo o resto. Ao conseguir entrar na escola que ela estuda, consigo descobrir o seu endereço, terei de dirigir até outra cidade, sem hesitar ligo o motor e vou. No meu caminho, me acostumo com o cheiro de sangue que inunda as ruas e com a imobilização total de todos, é como estar em um museu de cera, onde se sabe que esses bonecos já tiveram vida antes de estarem ali. Na verdade, neste momento nada disto me importa, só consigo pensar nos olhos.

Ao chegar no endereço, o meu coração esta batendo tão forte que mal consigo respirar, minhas pernas tremem tanto que mal consigo ficar em pé, minha boca esta tão seca que não consigo falar, mas minha mente esta tão determinada que nada disso importa. Era um grande prédio que estava tão silencioso que já me preparo para o pior, com minhas mãos tremendo entro no apartamento e assim que abro a porta, me deparo com aqueles olhos verdes imóveis, sem reação, caio de joelhos e me ponho a chorar. Agora nada mais faz sentido, toda a angustia da solidão me domina, como um mau que cresce dentro de mim, fico a olhando por alguns instantes, mesmo imóvel, ela diz tanta coisa, se os olhos são a janela da alma, fico imaginando o quão lindo é o espírito que se esconde dentro deste corpo. Me levanto e a encaro de frente, o olhar é fixo, sua alma esta congelada, vou até a janela e percebo que não há mais beleza a ser apreciada neste mundo, pulo la de cima. No momento da minha queda, sinto que o tempo se tornou mais denso, olho uma ultima vez para o céu e a luz branca me cega. Acordo sem saber que horas são. Levando zonzo, despreparado para o dia que já começou, ao chegar à cozinha, vejo minha mãe parada em frente a pia, preparando café, falo bom dia e ela não me responde, finjo que não me decepcionei e antes de caminhar até a janela, me viro e percebo que desta vez pelo menos o seu braço se mexe, levando o café do pote até o coador, sinto que como se tudo estivesse voltado ao normal, ao mesmo tempo, percebo que para os meus sentimentos, nada foi anormal.

Fizemos um Curta

Antes que eu explique o vídeo e como/porque, te deixo ir ao que mais interessa. Ao vídeo:

Fizemos esse curta como um projeto da escola (atualmente estou no último ano) de artes, a ideia era fazer algum tipo de history telling e resolvemos fazer um curta. O Leo (que já escreveu vários textos pro site e faz comigo o Insira um Título Aqui) fez o roteiro do curta e eu dirigi, tanto que eu e ele só aparecemos rapidamente em uma cena.

Foi bem divertido de fazer e o resultado ficou exatamente como queríamos, e quando apresentamos cada pessoa teve sua interpretação do curta, o que pra mim, foi um momento mágico, que transcende o roteiro original e coloca novas perspectivas que mesmo nós que fizemos, acabamos não percebendo.

Agora me diga você o que achou do curta = )

[Insira Um Título Aqui] – Capítulo 10

A festa foi horrível, o Tomas não queria nada comigo.

Tá né, eu devia me acalmar. Tudo bem. Vou contar desde o inicio.

Eu tinha me arrumado toda pra festa, e estava muito ansiosa, sério, não parava de pensar nele. Quando minha mãe me deixou lá na casa de Gabriela, eu tava com minhas mãos molhadas. Logo quando eu entrei, a casa estava cheia de gente e foi bem difícil achar a Gabriela.

Ela estava na cozinha conversando com a mãe enquanto ela preparava lancinhos pros convidados. Cumprimentei as duas e fiquei conversando um pouco com a mãe de Gabriela. Ela queria saber sobre as coisas banais da vida se tava tudo bem e etc. Geralmente não me importo de ficar jogando conversa fora mas naquele dia eu queria sair logo dali e encontrar o Tomas que tava em algum lugar por perto.

Então quando a mãe dela falou que tinha que levar os lanches pros convidados, peguei a Gabriela pela mão e me pedi pra ela me levar até o Tomas.

Ele estava no quintal da casa conversando com uns meninos e eu fiquei parada por alguns segundos olhando ele. Quando eu cheguei perto e disse “Oi”, ele só respondeu de volta e voltou a conversar com os amigos. Eu perguntei se podíamos ir conversar em um lugar afastado, ele me perguntou porque. Eu pedi por favor e ele acabou indo.

Eu disse pra ele que não parava de pensar na gente e que gostava muito dele. Foi ai que o meu mundo desabou. Ele disse que não queria nada comigo, só queria dar um beijo e pronto, e que não gostava de mim e que não era pra eu falar com ele.

Eu não sabia o que fazer, fui embora chorando e só dormi quando as lagrimas acabaram