[Insira um Titulo Aqui] – Capítulo 09

Assim que conquistei minha liberdade, corri durante horas, o dia inteiro e me lembro que quando entardeceu e a penumbra começou a surgir, olhei para o horizonte e vi as silhuetas negras das arvores sob um céu vermelho e aos poucos esta imagem foi se apagando, até que se apagou totalmente e cai desacordado devido à exaustão.

Acordei de outro modo, de um modo vivo diria, não sabia onde estava, era uma casa iluminada e cheia de vida, por um momento achei que estava morto e havia ido ao paraíso, ilusão que durou pouco, me lembrei que pobre não vai para o céu, mas de repente um anjo  apareceu, sorrindo e perguntando se eu estava bem, não sabia como responder, até então nunca havia encontrado um sorriso, ela se aproximou e se sentou ao meu lado, me ofereceu um copo de leite e começou a contar que havia me encontrado na rua desacordado e me trouxe para sua casa, ela perguntou meu nome, respondi que não sabia, ninguém nunca me chamou por algum nome, ingenuamente a senhorita sugeriu me chamar de Marcello, achei o nome babaca e com uma careta recusei, outra sugestão foi Leonardo, pensei que era nome de filho da puta e dada expressão facial foi usada novamente para exibir minha opinião, por fim, concordamos em deixar o nome para depois. A próxima pergunta foi, qual a minha idade ? Com um gesto respondi que não sabia, ela achou engraçado, me perguntou como alguém pode não saber quantos anos tem ? Repeti o gesto e ela repetiu a risada. Lembro de me questionar naquele momento se estava sonhando, cheguei a conclusão que não conseguiria sonhar com algo tão bom.  O tempo foi passando e fui me aproximando do anjo, ela me ensinou sobre o mundo, me ensinou a andar, falar, comer, me vestir, a ler, escrever, a sorrir e principalmente, me ensinou a ser gente. Conheci a outra vertente do ser-humano, a vertente da civilização, porque até então, só conhecia a selvageria.

[Insira um Título Aqui] – Capítulo 8

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2/dezembro/63

Desde o beijo eu não paro de pensar no Tomas. Eu não sabia que beijar era tão bom.

Ele é um garoto tão magrinho e tem o cabelo sempre bagunçado, mas acho isso uma graça especial nele. Todo dia antes de dormir eu acabo pensando nele, e quando acordo faço a mesma coisa. A Gabriela acho que está com um pouco de ciumes já que eu só fico falando de um garoto e ela não tem ninguém. Ela não falou nada até agora, mas da pra ver do jeito que ela reage quando eu começo a falar dele.

Hoje ela resolveu dar uma força e disse que no sábado vai ter uma festa na casa dela de toda a família, ou seja, o Tomas VAI PRA FESTA.  Ela disse que eu posso ir também, pra fazer companhia e pra eu parar de falar tanto nele. Não vejo a hora de chegar o sábado.

Próximo Capítulo – [24/03, terça-feira]

[Insira um Titulo Aqui] – Capítulo 7

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Sra. Bunda Gorda e Sr. Bigode de Rola, assim que se chamavam o lindo casal que me adotou, na verdade, assim que eu os chamava, o nome real deles não importa. Creio que o porque de Bunda Gorda seja bem sugestivo, dizem as más bocas que no banheiro dela havia duas privadas,uma do lado da outra, mas prefiro não pensar nisso. Havia muitas crianças trabalhando para eles, trabalhando não, sendo escravizadas e tínhamos a lenda de que quem fosse pego tentando fugir, seria esmagado pelas fartas nádegas da Madame B.G. Crianças e sua imaginação, apesar que ainda hoje acordo assustado sonhando com aqueles glúteos me esmagando. Já o Sr. Bigode de Rola tinha uma aparência igualmente peculiar, com sua meia-idade, roupas bregas, óculos redondos e um estranho bigode que era formado por poucos e longos pelos, se assemelhando bastante aqueles fios encontrado nos testículos , por isso o lindo apelido de Bigode de Rola. A casa deles possuía  2 lindo quartos, 1 estrondosa suíte, 3 incriveis banheiros, enorme jardim e um excelente e magnífico porão com 20 crianças órfãs, trancadas ali 24 horas por dia, que produziam pequenos laços azuis que eram vendidos sob o contexto de ajudar “crianças com câncer”. Não sei ao certo quantos anos fiquei neste ambiente, também não sei quantos anos tinha, só sei que era grande demais para ser pequeno e pequeno demais para ser grande. O que me lembro muito bem foi da minha fuga.

Linda manhã de Domingo, havia uma substância nova no ar, uma substância chamada Liberdade. Acordei respirando prisão e fui dormir respirando liberdade. O dia amanheceu com um de meus colegas de prisão a beira da morte, o lindo casal desceu para verificar o moribundo, ela com seu vestido florido, que a fazia parecer um gigante botijão com aquelas capas e seus bobs no cabelo, ele com o seu bigode e sinceramente a única coisa que conseguia reparar é naqueles pelos, que puta coisa escrota (quase que literalmente), ao seu aproximar do elemento doente, um rato surgiu das profundezas e correu perante aos escravocratas, a gorda se assustou e pisou em falso para trás, caindo com as pernas para o alto e aquelas imensas nadegas espalhadas pelo chão, há quem diga que sentiu até um pequeno tremor no momento da queda, o paspalho do marido rapidamente tratou de tentar ajudar a desencalhar a esposa, coitado, mas nem se fosse dois conseguiria, em meio a gritaria da gorda, risada das crianças e movimentos esforçado porem desastrados do bigode, tratei de correr em direção a porta, o velho até que tentou me segurar, mas um chute digno de um espartano foi suficiente para joga-lo para trás e garantir o meu lugar ao sol. Corri. Gritei. Chorei. Sorri como nunca e me senti finalmente no volante da minha vida, controlando para não derrapar nas curvas do destino. Ao chegar ao sol, encontrei um anjo, um anjo que mudou minha vida.

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[Insira o Título Aqui] – Capítulo 06

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30/novembro/63

Ontem foi tão bom. EU DEI MEU PRIMEIRO BEIJO!!

Calma ne, você deve estar se perguntando como que foi. Vou te contar tudo.

Eu e Gabriela fomos andar de bicicleta já que hoje não teve aula, foi difícil convencer mamãe a me deixar ir. Mas eu prometi que voltava antes do por do Sol e que eu ia com Gabriela, então no final ela acabou concordando.

Queríamos ir até o Solitário (é o jeito como os moradores chamam uma árvore bem grande e solitária que em uma colina) e no meio do caminho, lá na fazendo dos Souzas, o Tomas, viu a gente pedalando e perguntou se podia ir junto.

Eu ia dizer que não, mamãe não ia me deixar andar desacompanhada com um garoto, mas Gabriela disse que sim. Ela virou pra mim e falou que ele era primo dela, e que qualquer coisa ela contava pro tio ou pra tia. Então aceitei ne, fazer o que? Eu tava doida pra ir até o Solitário.

Não demoramos muito pra chegar mas como eu não estou acostumada a fazer exercícios, minhas pernas estavam pegando fogo e decidimos ficar embaixo dele por um tempo pra descansar.

O Tomas começou a me fazer um monte de perguntas, sobre as coisas que eu gosto, que eu não gosto, o que eu quero fazer, sobre a escola. Ele é TÃO SIMPÁTICO! Acho que Gabriela começou a se sentir meio fora da conversa e decidiu subir na árvore. Como ela é bem grande não dava pra ver ela e ficamos sozinhos.

Ele então me perguntou se eu já tinha beijado alguém. Fiquei super vermelha com essa pergunta, é tão pessoal isso não acha? Mas resolvi falar a verdade, eu disse que não. Ele disse que só tinha feito isso com uma menina antes e me perguntou se eu queria tentar.

EU NÃO SABIA O QUE FAZER!! Já fazia um tempo que eu queria experimentar, queria saber como que era a sensação, e poucas meninas da minha sala tinham beijado. Mas eu não sei como fazer, E SE EU FIZER ERRADO?!? Acho que ele deve ter notado que eu estava demorando pra responder e que estava nervosa, ele me disse que eu não precisava fazer se não quisesse, mas que ele apostava que eu era boa nisso.

Eu disse que sim, que queria fazer. Ele pegou na minha mão, e foi se aproximando, me olhando nos olhos. Dava pra sentir a respiração dele, ele foi chegando mais perto e foi fechando os olhos, também fechei os meus, e nos beijamos. E FOI TÃO BOM!! Eu sei que você é um diário e que nunca fez isso, mas se desse você tinha que fazer, você não sabe o que está perdendo. Quando a Gabriela voltou ela não falou nada, mas quando ficamos sozinhas ela ficou super feliz por mim e perguntou como que foi. Eu disse que foi maravilhoso, a melhor sensação que eu já tive, não deve ter nada no mundo melhor.

Eu não paro de pensar no Tomas e no nosso beijo.

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[Insira um titulo aqui] – Capítulo 5

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Apenas um adendo:

Gosto muito de escrever, mas detesto ler.

Acho a leitura algo muito perigoso, por exemplo, nos nem nos conhecemos, pode ser que neste momento, enquanto você lê este escrito, eu já esteja morto, mas mesmo assim, estamos conversando, muito mais do que isso, você consegue me ouvir, se houver alguém do seu lado, ela não conseguira me escutar, mas você consegue, sabe porque ? Porque neste momento, estou dentro da sua cabeça, veja que coisa perigosa.

Escrevo isto enquanto estou sentando em um banco, daqueles feito de grandes tábuas de madeira que rugem ao se sentar. É um daqueles locais que parece ter sido feito por alguém muito sábio e se pode respirar a paz. Vejo muitas árvores ao meu redor. Ao longe, uma pequena ave marrom bica o solo em busca de minhocas. Fiquei encarando-a por alguns instantes, ela também me olhou, um olhar profundo e com pouca expressão. Após este curto olhar, ela voou em minha direção e ao sobrevoar a minha cabeça, decidiu deixar um pouco de si em mim, através de uma romântica e singela defecada.

Veja leitor, o perigo da leitura, além de estar dentro da sua cabeça, possuo a capacidade de criar imagens, de te criar sensações e sentimentos, aguçar seus sentidos, relembrar velhas memórias e antigas reflexões. Este é o meu adendo, se ao lê-lo você deu pelo menos uma risada de canto de boca, significa que estamos em sincronia. Se ao ler, você não sentiu nada e achou que o adendo não teve sentido, recomendo que tente reler em outra ocasião, desta vez sentindo o texto. Se ao reler e mesmo assim não sentir as palavras, não perca o seu tempo, pare de ler este livro, ele não foi feito para você.

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Comecei a gravar vídeos!!!

Há um bom tempo, tive a ideia de gravar vídeos sobre desenho, sobre como eu desenho, speed drawings e coisas do gênero, mas nunca tive tempo e nem o material necessário pra gravar. Porém há uma semana consegui arranjar um jeito de gravar esses vídeos, então comecei uma seriezinha de testes, com um único desenho, o primeiro vídeo é o esboço deste desenho, como vocês podem ver ai em baixo:

O segundo vídeo é a definição do desenho, esse já esta um pouco melhor, pois já da pra ver melhor como o desenho está ficando.

O próximo, que ainda não foi lançado, é a finalização dele com as canetas da Copic Marker cinza, ainda estou treinando usar elas, mas o resultado ta ficando bem bacana!!!

Então para acompanhar os videos de desenho, inscrevam-se lá no canal, assim você não perde nenhum dos vídeos lançados!

[Insira um Título Aqui] – Capítulo 04

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28/novembro/63

Nossa, estou tão ocupada com a escola que nem consegui falar com você desde que eu te ganhei. Mas prometo que vou te contar mais coisas daqui em diante, promessa de mindinho. Papai sempre fala que temos que ser pessoas de palavras, se dissermos que temos que cumprir uma coisa, cumprimos. Mamãe diz que ele sempre foi assim, se ele falou que ia fazer alguma coisa ele ia até os portões do Inferno pra fazer. Então eu quero ser quenem papai, fiz uma promessa e vou cumprir.

Se bem que teve uma promessa que eu acabei não cumprindo, queria não ter feito isso. Quando eu tinha 10, Ana Claudia, minha melhor amiga, ela acabou se mudando pro Rio de Janeiro, o pai dela vendeu a fabrica que ele tinha por aqui e se mudou pra lá com a família, a gente prometeu que não íamos parar de se falar, e que íamos ser melhores amigas pra sempre, mas depois de três meses fomos esquecendo de mandar cartas e paramos de nos falar. Hoje em dia minha melhor amiga é a Gabriela. Ainda sinto falta da Ana Claudia, queria que não tivéssemos parado de nos falar.

Sabe, eu sei que você não pode responder, mas se pudesse me promete uma coisa? Me promete que vai tá sempre aqui quando eu precisar contar as coisas pra alguém sem me julgar? Eu só faço a minha promessa de sempre falar com você se você me fizer essa.

Então, combinado?

Que bom

Agora eu tenho que ir, tenho bastante lição pra fazer, é de matemática, ODEIO. Assim que eu tiver mais coisas pra te falar eu volto.

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