[Insira um titulo aqui] – Capítulo 5

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Apenas um adendo:

Gosto muito de escrever, mas detesto ler.

Acho a leitura algo muito perigoso, por exemplo, nos nem nos conhecemos, pode ser que neste momento, enquanto você lê este escrito, eu já esteja morto, mas mesmo assim, estamos conversando, muito mais do que isso, você consegue me ouvir, se houver alguém do seu lado, ela não conseguira me escutar, mas você consegue, sabe porque ? Porque neste momento, estou dentro da sua cabeça, veja que coisa perigosa.

Escrevo isto enquanto estou sentando em um banco, daqueles feito de grandes tábuas de madeira que rugem ao se sentar. É um daqueles locais que parece ter sido feito por alguém muito sábio e se pode respirar a paz. Vejo muitas árvores ao meu redor. Ao longe, uma pequena ave marrom bica o solo em busca de minhocas. Fiquei encarando-a por alguns instantes, ela também me olhou, um olhar profundo e com pouca expressão. Após este curto olhar, ela voou em minha direção e ao sobrevoar a minha cabeça, decidiu deixar um pouco de si em mim, através de uma romântica e singela defecada.

Veja leitor, o perigo da leitura, além de estar dentro da sua cabeça, possuo a capacidade de criar imagens, de te criar sensações e sentimentos, aguçar seus sentidos, relembrar velhas memórias e antigas reflexões. Este é o meu adendo, se ao lê-lo você deu pelo menos uma risada de canto de boca, significa que estamos em sincronia. Se ao ler, você não sentiu nada e achou que o adendo não teve sentido, recomendo que tente reler em outra ocasião, desta vez sentindo o texto. Se ao reler e mesmo assim não sentir as palavras, não perca o seu tempo, pare de ler este livro, ele não foi feito para você.

Próximo capítulo – [Próxima Quinta]

Comecei a gravar vídeos!!!

Há um bom tempo, tive a ideia de gravar vídeos sobre desenho, sobre como eu desenho, speed drawings e coisas do gênero, mas nunca tive tempo e nem o material necessário pra gravar. Porém há uma semana consegui arranjar um jeito de gravar esses vídeos, então comecei uma seriezinha de testes, com um único desenho, o primeiro vídeo é o esboço deste desenho, como vocês podem ver ai em baixo:

O segundo vídeo é a definição do desenho, esse já esta um pouco melhor, pois já da pra ver melhor como o desenho está ficando.

O próximo, que ainda não foi lançado, é a finalização dele com as canetas da Copic Marker cinza, ainda estou treinando usar elas, mas o resultado ta ficando bem bacana!!!

Então para acompanhar os videos de desenho, inscrevam-se lá no canal, assim você não perde nenhum dos vídeos lançados!

[Insira um Título Aqui] – Capítulo 04

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28/novembro/63

Nossa, to tão ocupada com a escola que nem consegui falar com você desde que eu te ganhei. Mas prometo que vou te contar mais coisas daqui em diante, promessa de mindinho. Papai sempre fala que temos que ser pessoas de palavras, se dissemos que temos que cumprir uma coisa, cumprimos. Mamãe diz que ele sempre foi assim, se ele falou que ia fazer alguma coisa ele ia até os portões do Inferno pra fazer. Então eu quero ser quenem papai, fiz uma promessa e vou cumprir.

Se bem que teve uma promessa que eu acabei não cumprindo, queria não ter feito isso. Quando eu tinha 10, Ana Claudia, minha melhor amiga, ela acabou se mudando pro Rio de Janeiro, o pai dela vendeu a fabrica que ele tinha por aqui e se mudou pra lá com a família, a gente prometeu que não íamos parar de se falar, e que íamos ser melhores amigas pra sempre, mas depois de três meses fomos esquecendo de mandar cartas e paramos de nos falar. Hoje em dia minha melhor amiga é a Gabriela. Ainda sinto falta da Ana Claudia, queria que não tivéssemos parado de nos falar.

Sabe, eu sei que você não pode responder, mas se pudesse me promete uma coisa? Me promete que vai tá sempre aqui quando eu precisar contar as coisas pra alguém sem me julgar? Eu só faço a minha promessa de sempre falar com você se você me fizer essa.

Então, combinado?

Que bom

Agora eu tenho que ir, tenho bastante lição pra fazer, é de matemática, ODEIO. Assim que eu tiver mais coisas pra te falar eu volto.

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[Insira um Titulo Aqui] – Capítulo 3

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Maldito velho aquele, porque fui encontrar com ele? Me fez lembrar do orfanato e da minha infância, se é que posso chama-lá assim. Nem me lembro quantos anos tinha quando cheguei lá, era bem pequeno, uma pobre e pequena criaturinha, magricela e calada. Por mais que me esforce, poucas recordações me veem à mente, só consigo lembrar das surras. Apanhava dos garotos mais velhos, das freiras e do padre. Gostaria de falar que detestava apanhar, mas estaria mentindo, no fundo eu gostava. Era dolorida, de fato, mas era uma das raras situações que me fazia me sentir vivo, que me fazia sentir alguma coisa. Pobre e pequena criaturinha, magricela, calada e masoquista.

Ao recordar não sinto tristeza, não sinto raiva e nem saudades. Esta é minha vida, houve coisas ruins, claro que sim, mas como posso reclamar destes momentos ? Todos eles me fizeram chegar até aqui, minha historia me descreve, não cabe a mim julga-la, apenas aceitar e prosseguir. Maldito velho fazedor de pipocas.

Minha estadia não foi longa, entrei, apanhei e fui embora, sem olhar para trás. Mentira, assim que passei pelo portão do orfanato, parei, me virei e olhei para aquela velha residência, vi o padre olhando para mim pela janela do seu quarto, estiquei meu braço em sua direção e levantei o meu Terceiro quirodáctilo, enquanto com o outro braço, segurei na minha genitália e a sacodi algumas vezes, todo este lindo e harmônico movimento acompanhado de uma bela expressão debochada. Velho filha da puta, espero que esteja tomando palmadas no colo do capeta agora. Fui adotado, para minha sorte por um casal de canalhas que adotavam crianças e as colocavam para trabalhar.

O trabalho dignifica o homem, foi o que certo alguém disse e se esse certo alguém me permitir, gostaria de acrescentar: “O trabalho dignifica o homem e fode com as crianças”. Assim se resumi este período da minha vida, trabalho. Trabalho e surras, as surras sempre estiveram presentes em minha vida. Sempre me pergunto, quando começarei a bater ?

Ouvi falar hoje cedo de uma tal de meritocracia. Confesso que não entendi muita coisa, mas pelo pouco que entendi se trata de uma relação direta entre o seu sucesso e as suas qualidades, algo como, se unicamente o mérito fosse o responsável pelas conquistas de uma pessoa. Achei engraçado quando ouvi, dei risada de tão ridículo. Obviamente, dificilmente se terá sucesso sem ter o seu mérito, mas acredito, que no fundo, o seu esforço é o que menos importa. É seu mérito ter conseguido tirar uma boa nota em uma avaliação, mas foi o seu mérito ter nascido em uma condição favorável ao estudo? Consigo tranquilamente cortar a garganta de um magnata, me banhar com seu sangue e depois deitar e dormir como um bêbê no colo de sua mãe, mas não sei se consigo falar para uma criança que vive na rua e passa fome que ela só esta naquela situação porque não tem qualidades suficientes para sair dali. As pessoas deveriam se apaixonar menos pelo homem e amar mais a humanidade.

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[Insira um Título Aqui] – Capítulo 02

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22/novembro/63

Hmm não sei direito o que escrever, quando abri o embrulho que você veio fiquei doida pra começar mas agora que eu to aqui no meu quarto não sei direito o que falar….

Acho que posso começar contando que hoje é meu aniversário, ganhei vários presentes. E hoje foi muito legal, os nossos vizinhos vieram, eles moram longe, já que aqui só tem fazenda e umas amigas da escola também vieram e ficamos comendo e brincando de pular corda e amarelinha. Eu também ganhei uma bicicleta mas mamãe falou que é meio perigoso eu andar com ela já que não tenho experiencia, só que eu tenho 14 anos já né, consigo andar em uma bicicleta sem cair.

Meus pais eles não deixam eu brincar muito, falam que eu posso me machucar e que sou desastrada. Eu sei que eles querem me proteger mas fazem isso de mais, não tenho muita vida. Agora minha mãe tá chamando pra ir jantar, tenho que ir. Mas antes disso queria dizer que acho que você vai me ajudar bastante, colocar meus pensamentos pra fora é divertido.

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FBBF – Boyhood: Da Infância à Juventude

Antes de mais tudo, gostaria de aconselhar assistir o filme antes de ler este texto, não por uma questão de spoiler, mas por uma questão de poder comparar as suas reflexões com a minha.

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Boyhood não é um filme para ser assistido, mas sim para ser sentido. A história em si não tem acontecimentos muito marcantes, mas possui alto teor reflexivo. Em minha concepção, o filme trata especificamente da vida e das suas várias etapas, seja com o jovem Mason, que em sua infância se sente deprimido com o divorcio dos pais e almeja o retorno deles, ou mesmo na sua adolescência que busca um meio de se identificar com o mundo. Creio que boa parte dos jovens sofrem com este mesmo problema, a adolescência é um caminho complicado, porque o mundo já não te trata mais como criança, contudo, ainda não se tem a liberdade de um adulto, esta etapa de “meio-termo” faz com que busquemos um meio de se identificar com os outros indivíduos e de abandonar de vez a infância, o que explica o fato do próprio Mason deixar o cabelo crescer e mudar radicalmente suas vestimentas. Contudo, um fato curioso sobre a pré-adolescência do protagonista, é que mesmo nesta etapa onde as mudanças são radicais, intensas e passageiras, ele se encontrou na fotografia, ramo que se mantém presente mesmo em sua fase adulta. O fato do filme se focar na infância e na juventude se deve justamente ao fato de ser o período de maiores mudanças.

O interessante, ainda se tratando das mudanças na vida, é que não se resumi somente as crianças, mas aos adultos também, dentre eles da mãe de Mason. Sua mãe é um ponto interessante, ela muda de uma jovem mãe solteira, imatura e inexperiente, para uma mulher estudada, madura, casada e bem estabilizada. Contudo, as reviravoltas em seu casamento e a desestruturação de sua estabilidade familiar, a fizeram retornar ao ponto de partida, só que desta vez mais forte, sendo que se torna até professora em uma universidade. Obviamente que ninguém esperava a violência domiciliar sofrida por ela, mas muito mais do que isso, a cena que mais me tocou foi vê-la chorando ao ver o filho arrumando suas coisas para ir a faculdade, quando questionada, responde que já realizou tudo o que tinha para realizar e que agora era só esperar pelo fim. Fiquei me questionando sobre o quão vazia e injusta são os objetivos que se esperam de uma mulher, basicamente ser mãe, onde todas as suas ações são pensadas e justificadas a partir dos filhos e quando estes crescem e se vão, sua vida se torna vazia, pois tudo aquilo que se esperava dela, já foi concluído e sua vida de repente perde o sentido.

Boyhood não conta a historia de Mason, conta a vida e todas suas mudanças, em seu estado mais puro e verdadeiro.

[Insira um Título Aqui] – Capítulo 01

Dizem que a maior dificuldade ao escrever é escolher as três primeiras palavras, depois de muito refletir, mergulhado na penumbra de minha mente, concluo que devo começar desta forma:

                                                                                    Não abstenho do absinto

Que bela forma de começar, contudo, acredito que para você, caro leitor – se é que alguém perderia tempo lendo esta ociosidade -, entender logo neste inicio do que se trata este escrito, devo manda-lo ir a merda, não por uma implicância a sua pessoa, acredito até que deveria agradecê-lo por tornar este monte de papel em um livro, mas por mera sinceridade, afinal acabamos de nos conhecer e espero que não penses que sou alguém que não te mandaria ir a merda, pois assim o faço: Vá a merda querido leitor e amado diário.

Querido diário desgraçado, estou me perguntando porque o escrevo. Talvez eu devesse ir logo ao Gran Finale e acabar com tanta prolixidade, mas, afinal que graça teria ir direto ao ponto, sim, confesso que o Oral é chato e o Orgasmo é incrível, mas o que valeria apenas o Orgasmo sem o Oral ? Sem aquela baboseira no inicio ? Ou mesmo, aquelas palavras sujas e mentirosas ? Compreende o que tento dizer ? A dor valoriza a saúde, o frio valoriza o agasalho, o casamento valoriza o adultério, a fome valoriza o pão e a morte valoriza a vida… Talvez nem tanto…

Essas palavras são jogadas com tanta força neste papel, que posso até senti-lo sangrar. Sangrar e gritar, gritos tão profundos e silenciosos, que me atordoam e me apertam, que não me sinto mais aqui, mas em outro lugar e este conglomerado de símbolos, que juntos formam palavras, que juntas formam este texto, que se junta a minha angustia. Vou coloca-la na bolso e voltar a escrever.

Entrei no ônibus e fui a outro lugar, um canto nesta cidade que ainda não tinha ido. Sentei na janela e observei. Quando estava bem distante, entrou neste mesmo ônibus um senhor que vendia pipoca na esquina do orfanato que cresci. Nunca perguntei o seu nome, nunca conversei com ele, apenas passava por ele e por meio de rápidos olhares reconhecia o seu rosto e ele o meu. O mesmo ocorreu naquele ônibus, rápidos olhares e um breve reconhecimento facial. Não houve sorrisos, nem acenos com a cabeça, afinal, ele não significava nada para mim e nem eu para ele. Mas, fiquei pensando, qual a chances de encontrar ele neste ônibus, neste momento, neste dia, tanto tempo depois ? Imaginem, se ao sair de casa, ele percebe que esqueceu seu casaco e volta para buscar, se olhasse para o chão e visse o seu sapato desamarrado e decidir amarrar, se ao olhar no espelho decidisse fazer a barba antes de sair e se por acaso ele tivesse se atrasado, mesmo que minimamente, ele não teria pego este ônibus e eu não teria o reconhecido, de fato, qual a probabilidade de tê-lo encontrado justo ali ? Fico pensando se teria algum propósito divino encontrar com ele, algum motivo celestial ou se foi mero acaso, será que foi algo pré-determinado ? Depois de tanto refletir, penso que tudo é um acaso, não tenho motivo para pensar que tudo o que vivi foi pré-determinado por um ser divino, afinal, que ser divino faria uma crueldade dessas ? Cheguei ao meu ponto e desci.

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